quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

FILTRAR...


Filtro...
Você já  parou pra pensar na função do filtro?
Filtrar a água...
Passar o café pelo filtro...
Os rins filtram o sangue...
Pra que serve o filtro?
Por que filtramos a água? Para tirar as impurezas?  O mesmo faz os rins com o sangue.
E o filtro solar?  Seleciona o tipo de raio que nossa pele absorve.
E o que fica no filtro?
As ‘sujeirinhas’ da água...
A borra do café...
O que não é mais necessário...
O filtro seleciona...Separa...
"Separa o joio do trigo."

Deixar passar só o que é importante, retirar as impurezas e ficar só com o que se precisa. Será que estamos sabendo usar nosso filtro?  Ou melhor, será que todos temos?  Acredito que ele não seja um item de fábrica. Nós acoplamos o filtro a nós a medida que nos inserimos no social.  Pois o que seria do mundo se fossemos somente ‘instinto’, falo e faço tudo o que vem a mente. Habitamos um social onde nem toda a verdade deve ser dita, até por que elas mudam a todo instante.


Nem tudo o que se pensa precisa ser dito- filtro entre o cérebro e a boca.
Nem tudo que se sente precisa ser falado- filtro entre o coração e a boca. 

Não estou fazendo apologia ao ‘engolir sapos’, de forma alguma. Só considero que ‘cuspir cobras e lagartos’ também não seja a forma ideal de expressão. Em nossa sociedade “pá-pum” “tomou-levou”, “toma lá dá cá”, as reações instintivas estão cada vez mais imediatas. Ações e reações não estão sendo pensadas. A impulsividade toma conta. E aí que encontramos um problema no filtro.  

A liberdade de expressão e o direito de resposta estão aí, uma grande conquista social moderna.  Mas será que estamos respeitando os limites dessa liberdade?  Será que não está na hora de renovar nosso filtro e rever nossos valores como: respeito ao outro e a diferença, prudência, empatia (colocar-se no lugar do outro)?

E como lidar com tanta mágoa? A palavra mal colocada, dita impulsivamente, com pressa, sem pensar pode causar danos irreparáveis a qualquer ser humano.

Eis o grande desafio da vida: aprender a filtrar. 

Saber a hora de falar e a hora de calar. E quando falar, falar da melhor forma. Identificar o que pode causar mal a nós e aos outros. Ter sensibilidade e consciência para dizer o que deve e pode ser dito.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DOS SONHOS PARA A PSICOLOGIA


Foi no século 19 que os estudos dos sonhos se iniciaram com um caráter mais cientifico. Nessa época, Freud (médico judeu austríaco, pai da psicanálise) afirmou que os sonhos teriam algum significado e poderiam ser interpretados. Para, ele os sonhos satisfaziam nossos desejos reprimidos, socialmente inaceitáveis (principalmente sexuais) e/ou significava a necessidade de descarga de impulsos, objetivando o equilíbrio emocional.
Já Jung (psiquiatra suíço, pai da psicologia junguiana ou analítica, ex discípulo de Freud por justamente discordar de algumas idéias dele) acreditava que o sonho é ‘COISA VIVA’ é aquilo que ‘ele é’, sem disfarces. Representação espontânea do inconsciente, MANIFESTAÇÃO DA NATUREZA EMOCIONAL EM LINGUAGEM SIMBÓLICA. Jung não descartava a hipótese de que o sonho revelasse algum desejo secreto não aceito moralmente, mas que também ela poderia ter outras infinitas interpretações. Segundo ele, os sonhos podem ser feitos de verdade inelutáveis, restos diurnos, ilusões, fantasias, sentenças filosóficas, antecipações, visões telepáticas e muitas outras coisas. Dessa forma, o sonhador adquire os mais variados papeis dentro da cena do sonho, de espectador a ator. Isto quer dizer que TODAS AS PERSONAGENS DO SONHO REPRESENTAM ASPECTOS EMOCIONAIS PERSONIFICADOS DO SONHADOR (o sonho é do sonhador, e os personagens são ele, em diferentes posições psíquicas).
Descobrir os significados dos símbolos oníricos (dos sonhos) está longe de recorrer àqueles livros de definição de símbolos que encontramos nas bancas de jornal.  Jung era totalmente contra a interpretação mecânica dos sonhos, pois:
o       O símbolo geralmente tem mais de um significado
o       E o significado de cada símbolo está muito atrelado a história de vida de cada pessoa (o trem pode ter um significado positivo para uma pessoa e negativo para outra)..
 Jung tratava os sonhos como COMUNICAÇÕES CONTÍNUAS DO INCONSCIENTE, por isso é importante não sermos reducionistas nas interpretações. Sonhar com cobra nem sempre quer dizer que você será traído (como sugere os dicionários de símbolos encontrados nas bancas). A interpretação dos sonhos deve estar sempre associada à história do sujeito e as suas associações livres feitas em psicoterapia. 
Em suas experiências clínicas, Jung observou que os sonhos serviam de ferramenta para a busca do EQUILÍBRIO da psique (alma), desempenhando um papel COMPENSATÓRIO.  Para ele, o sonho seria uma reação de defesa (assim como a febre é para infecção no corpo físico)  com o objetivo regular/equilibrar as energias entre o consciente e o inconsciente.
A linguagem do sonho é complexa e jamais monótona, muita atenção quando se dispuser a interpretá-lo. Apesar de a interpretação do sonhador ser a principal, existem no sonho ricos elementos em múltiplos sentidos.  Estes elementos podem advir do seu inconsciente pessoal e também do inconsciente coletivo, inconsciente que banha todos nós no seu reino das imagens arquetípicas (imagens- primordiais e universais- comuns a todos os seres humanos, estruturas inatas incrustadas no inconsciente coletivo que servem de matriz para a expressão e desenvolvimento da psique).
Para entender melhor o INCONSCIENTE COLETIVO, anexo abaixo o MITO DO CENTÉSIMO MACACO:
 O Centésimo Macaco é o nome de um novo mito. Trata-se de história que apareceu, é repetida e serviu de tema literário apenas nos últimos vinte anos. Tem origem muito recente e, no entanto, como os mitos gregos a respeito da Guerra de Tróia, não está claro onde terminam os fatos e começam as metáforas. A história se baseia em observações científicas sobre colônias de macacos no Japão. A versão mais amplamente difundida escreveu-a por Ken Keyes Jr., que apresento a seguir em forma condensada e parafraseada.
Ao longo da costa do Japão, os cientistas estudam colônias de macacos habitantes de ilhas isoladas, há mais de trinta anos. Para poder manter o registro dos macacos, eles colocavam batatas doces na praia, para que os animas as comessem.
 Os macacos saíam das árvores para pegar as batatas e, assim, expunham-se a ser observados com total visibilidade. Um dia, uma macaca de 18 meses chamada Imo começou a lavar a sua batata no mar, antes de comê-la. Podemos imaginar que seu sabor tornava-se assim mais agradável, pois o tubérculo estava livre da areia e do cascalho e, talvez, ligeiramente salgada.
 Imo mostrou aos outros macacos de sua idade e à sua mãe como fazer aquilo; os animais jovens mostraram às próprias mães e, aos poucos, mais e mais macacos passaram a lavar as batatas em vez de comê-las com areia e tudo.
 No princípio, só os adultos que tinham imitado seus filhos aprenderam o jeito novo; gradualmente, outros também adotaram o novo procedimento. Um dia, os observadores perceberam que todos os macacos de determinada ilha lavavam suas batatas doces.
 Embora isso fosse significativo, o que foi ainda mais fascinante de registrar foi que, quando essa mudança aconteceu, o comportamento dos animais nas outras ilhas também mudou: todos eles agora lavavam suas batatas, e isso apesar do fato de que as colônias de macacos das outras ilhas não tinham tido contato direto com a primeira.
Fonte do Mito: http://www.vivenciaemcura.com.br/conteudoscomplementares/o100macaco.htm
 Leitura de apoio:
Revista  Psicanálise
Os arquétipos e o inconsciente coletivo- Jung
Fonte das Imagens:
http://boy-feelings.tumblr.com/post/6182069314/gosto-de-dormir-porque-dormir-me-faz-sonhar-e
http://ielementum.blogspot.com.br/2012/07/o-centesimo-macaco.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

COACHING X ZONA DE CONFORTO




Estamos quase no fim do mês de janeiro de 2013... Ainda estão bem VIVOS os pedidos, desejo, objetivos e metas que traçou para alcançar este ano? Se permitirmos, com o tempo,  apagamos (ou tornamos menos forte) o fogo de nossos desejos, pois nos acomodamos, desfocamos das prioridades e quem ainda não visitou a tal da ‘zona de conforto’ que atire a primeira pedra.
Vivemos em uma sociedade onde o comodismo e a comodidade advinda das tecnologias imperam. Lá onde tudo é automático, rotineiro e as coisas não acontecem, lá é a zona de conforto. Lá o ESFORÇO é visto com maus olhos, quase sinônimo de castigo. Enfrentar o desconhecido, a luta, o incomodo, o sofrimento, a motivação e o suor  fazem parte de outra zona: A ZONA DE APRENDIZAGEM. Quando aprendemos, suor tem gosto de sucesso. O valor que damos as coisas está atrelado ao esforço que tivemos para conquistá-las. Por isso, para ir de encontro ao seu objetivo é preciso acionar o botãozinho que existe aí, em algum lugar em você, que leva o nome de TBC segundo meu professor de Coaching Ronald Pantin (tradução: Tirar a Bunda da Cadeira).
Com certeza você tem desejos, sonhos e objetivos, certo? Sabe o caminho que deve seguir para alcançá-los? O caminho a ser seguido quase sempre parte de uma lógica: quero minha casa própria, tenho que economizar e fazer um planejamento financeiro. Mas, se é tão lógico assim, qual é a razão de haver tanta insatisfação e frustração no que se trata ao alcance do objetivo?
Você concorda que a principal razão da infelicidade ou é ausência do ‘desejar’ ou é não alcançar o que se deseja? Desenvolver liderança, emagrecer, empreender uma grande mudança na vida, um namorado (a), um carro, recolocação na carreira, evolução espiritual, o que lhe impede de alcançar o que deseja?
. Entre um ponto (A- estado em que você se encontra atualmente) e outro (B- estado desejado) há um caminho a percorrer. Caminhar exige movimento e ação. E para não se perder, o FOCO se torna ferramenta essencial. E é nessa lógica que o Coaching atua. Coaching é um processo sendo o Coach o profissional  facilitador de processos de mudanças.Coach é uma palavra inglesa de origem húngara (kocsi). Kocsi é uma cidade húngura que no século XV começou a produzir  carruagens que se tornaram cobiçadas pelo seu conforto. Levando em conta o simbolismo da palavra, Coach é o profissional que conduz o processo de Coaching (assim como a carruagem- que leva pessoas de um ponto a outro) onde a principal finalidade é auxiliar as pessoas a atingirem seus objetivos (pessoais ou profissionais) com auxílio de ferramentas específicas sempre partindo do pressuposto de que FOCO + AÇÃO= RESULTADO.
O fato é: Será que realmente você sabe o que tem que fazer para alcançar estado desejado ? E se realmente tem essa clareza, o que lhe  impede de chegar até lá (ponto B)?  Talvez a resposta para pergunta esteja na seguinte filosofia de Lao Tse (filósofo e alquimista chinês): Saber e não fazer é ainda não saber!
Há uma grande probabilidade de que o que esteja faltando seja  o FAZER, ou seja, a AÇÃO. O Coaching é conhecido com um processo de desenvolvimento pessoal (life coaching) ou profissional (executive coaching) que se embasa em ferramentas especificas onde os questionamentos, indagações, perguntas ocupam o carro chefe, pois são através delas que ‘aprendemos a aprender’, ou seja, nos tornamos conscientes de nossa força potencial e de nossos pontos a desenvolver que alimentam nossos impedimentos. Parte do pressuposto de que o foco não nos leva a lugar algum se não tivermos ação.
Sim, nesse caminho há obstáculos. A maior parte deles foi a mente humana que criou. Medo, sensação de incapacidade, de não merecer, de não conseguir são grandes obstáculos para se atingir o que se está desejando, pois estes sentimento alteram nosso FOCO, logo enfraquece nossa AÇÃO. Algumas ações simples tornam-se grandes desafios, por que alimentamos nossos monstros.  O PODER está em suas mãos. Viver no automático faz com que percamos o real objetivo de estarmos aqui. Por isso, acorde e TBC!

** Se você deseja saber mais sobre o Coaching, fique atento. Pois a CDL Cruz Alta está estruturando uma programação super legal que tem como foco principal o Coaching na Prática! Será em abril de 2013. Maiores informações: 55 3322 6184

O próximo post será continuação deste! AGUARDE!

IMAGEMS> http://lidinations.blogspot.com.br/2010/10/saia-da-zona-de-conforto.html
http://www.comediaoteca.com/2012/10/zona-de-conforto.html

domingo, 16 de setembro de 2012

AS DUAS PRIMEIRAS FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL: ORAL E ANAL




OS PRIMEIROS ANOS DE VIDA... de uma pessoa são decisivos para a constituição de sua futura personalidade. Neste período são delineadas as principais características psíquicas, a partir da relação da criança com os pais, pessoas próximas, objetos e meio ambiente. A qualidade das relações entre pais e filhos exerce uma influência determinante na formação psicológica destes. A partir dos primeiros meses de vida, os pais e responsáveis pela criação e educação das crianças devem dedicar toda a atenção ao desenvolvimento de sua auto-estima. O que se faz nos primeiros anos de vida do filho é fundamental para que ele seja uma pessoa produtiva, capaz de crescer na vida.
Mas, frente esta grande responsabilidade, NÃO existe manual de instruções. Apesar de muitos estudiosos tentarem enquadrar em fases o desenvolvimento da criança, é importante salientar que cada criança é única e tem seu ‘evoluir’ individual, singular e no seu tempo, levando em conta a PRECOCIDADE do mundo moderno. Por isso, é normal os pais se sentirem perdidos em alguma fase de vida do seu filho, por que o ‘como proceder’ não está escrito em nenhum lugar.
 EDUCAR dá trabalho, é difícil e é um processo que se dá por meio da REPETIÇÃO, por isso também é cansativo para os pais, gerando culpa e sofrimentos. O importante é não esmorecer!
A psicologia, a ciência do comportamento, é aliada no processo de evolução emocional da criança, por isso estuda o normal e o patológico em cada fase de vida. Serão apresentadas abaixo algumas características condizentes a fase que seu filho(a) está, para que possa observar como está o comportamento dele (a)  e avaliar a sua CONDUTA enquanto MÃE e PAI.


 FASE ORAL(de 0 a 2 anos)

J     O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da mãe, que além de alimentar proporciona satisfação ao bebê.
J     Ansiedade da separação: a criança ainda está misturada com a mãe, por isso a separação se dá de forma difícil.
J     A criança leva tudo a boca: mãos, bocas, objetos numa tentativa de ‘experimentar o mundo’ inclusive pessoas.
J     É o corpo que fala.
J     Mordida: forma prazerosa de se expressar com o mundo, de se descobrir dentro dele. Acontece em situações de disputa e conflito, por não conseguir administrar seus sentimentos.
J     Pais devem incentivar a linguagem verbal _ dar nome ao sentimento.  Sempre indagar procurando não responder pela criança.


FASE ANAL (de 2 a 4 anos)

J     Controle dos esfíncteres. Controla as fezes que sai do seu interior e a utiliza como presente ou agressão aos pais. Excessiva solicitação=supervalorização das fezes; Retenção= Pedido de atenção, Evacuação= Presente para mãe ansiosa.
J     O EU desconecta do OUTRO (diferenciação).
J     O pensamento abstrato e o pensamento lógico não estão formados ainda.
J     Pensamento egocêntrico “MEU” (falta empatia).
J     A criança começa a reconhecer o OUTRO, ou seja, já reconhece os sentimentos e os comportamentos dos pais.
J     Brinca de situações reais (cozinhar, vestir roupas da mãe, imita o médico, etc), como uma forma de fazer parte do mundo dos adultos.
J     Grande imaginação criativa (monstros, heróis, extraterrestres)
J     Mordidas, tapas e puxões de cabelo, uma forma de manifestação do que ainda não consegue expressar verbalmente.
J     Ápice da curiosidade infantil (3,4 anos), dos muitos questionamentos e das pesquisas infantis (anatomia sexual, origem dos bebes, etc). Abordar franca e realisticamente, comportando-se com naturalidade frente a perguntas, sem sufocar a criança com informações desnecessárias.
J     Comportamento aprendido “Se eu...” 

CARACTERÍSTICAS COMUNS AS DUAS FASES:
J     BIRRA: Testar limites. O mau comportamento sempre tem uma função. Reação a um incômodo ou frustração. É importante ser firme. Não valorizar a crise. Só depois que passar conversar, e se necessário, usar uma medida disciplinante.
J     CASTIGO: Cadeirinha do pensamento. Bater só em última instância. 
J     LIMITES: o NÃO é estruturante.
J      Eu não quero (não-não pode) = raiva= culpa do pais =perseverar ou cede.
J     Não fique com vergonha das pessoas que assistem a crise do seu filho, permaneça com postura séria.

J     CEDER: O “deixa pra lá” ensina a desobedecer! Falta de tempo= ceder é cômodo
J     Se a birra for freqüente, muito agressiva e sem motivo identificável, busque ajuda com um profissional.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE


ALBERT EINSTEIN- Começou a falar tarde, tinha raciocínio lento, baixo rendimento escolar, detestava ter que decorar matérias, sendo alfabetizado somente aos 9 anos. Era intuitivo e visionário. Mais tarde, utilizando-se do hiperfoco (característica do hiperativo de se desligar do restante e se focar somente em uma coisa) criou a teoria da relatividade. Relacionando estes sintomas pode-se pressupor que essa grande personalidade tinha TDAH. Veja a seguir informações que podem esclarecer suas dúvidas e auxiliar no diagnóstico. 

Na escola...
Dificuldade de adaptação
Dificuldade de finalizar uma tarefa
Não acompanha o ritmo da turma
Vive no ‘mundo da lua’.
Conversa e mexe-se o tempo todo
Não consegue permanecer sentado durante a aula
Atrapalha colegas e professores
Baixo rendimento

Em casa...
Não respeita a rotina estabelecida
Não dorme tranquilamente
No social, não sabe se comportar

Se você conseguiu encaixar seu filho (ou você mesmo) na maioria desses sintomas, há a probabilidade dele estar desenvolvendo o Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

Esse transtorno se estrutura em três sintomas-base:
  1. Déficit de Atenção:caracterizada pela dificuldade de se concentrar e manter a atenção por longos períodos de tempo
  2. Hiperatividade: que mantém a pessoa agitada
  3. Impulsividade:  que leva a pessoa a tomar atitudes sem pensar previamente, sem fazer um análise das vantagens ou desvantagens do seus atos ou fala.

Esse transtorno tem início precoce, geralmente os sintomas se apresentam antes dos sete anos, e são notáveis na maioria dos ambientes como lar, escola e comunidade. 50% ou mais das crianças com TDAH continuarão a apresentar sintomatologia significativa na adolescência e idade adulta. A criança com esse transtorno tem um risco acima da média de apresentarem problemas educacionais, comportamentais e sócio-emocionais.
DIAGNÓSTICO
Geralmente o diagnóstico do TDAH acontece primeiramente em casa, com pais e familiares ou na escola, com educadores, onde percebem a diferença de comportamento quando comparado com seus pares. É importante salientar que muitos pais interpretam o comportamento da criança como desobediente ou desinteressado, mas na realidade ele está demonstrando os sintomas do transtorno. Mas para que se efetive e tenha base cientificas é necessário que a criança passe por uma avaliação neurológica e psicológica.
É muito fácil confundir os sintomas do transtorno a uma fase da infância, pré adolescência, ou uma necessidade de chamar atenção, essas questões dificultam o diagnóstico e o encaminhamento para o tratamento, fazendo os pais e a criança sofrerem mais ainda.
CAUSAS
Pode-se dizer que a causa do TDAH é multifatorial. Pesquisas apontam que uma das possíveis causas é a falta de substâncias químicas no cérebro chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informações entre os neurônios, responsáveis pelo controle motor e pelo poder de concentração.
Se cogita também a influencia genética, por isso se torna importante pesquisar na família se há mais alguém com esses sintomas e relacionados a ansiedade.
Os fatores ambientais e psicológicos também podem ser implicativos da doença, ou seja, rotina familiar desorganizada e indisciplinada pode contribuir para potencializar sintomas.
CONSEQUÊNCIAS
A hiperatividade pode trazer problemas de relacionamento com seus pares que o excluem das atividades e contribuem para baixa auto-estima. Alguns pesquisadores atribuem ao transtorno como sendo uma doença do cérebro imaturo. Com o passar dos anos, com o tratamento correto e autocontrole é possível que tanto cérebro quanto o psíquico amadureça.
TRATAMENTO
Se você identificou os sintomas mencionados nesse artigo em seu filho, pessoa próxima ou em você mesmo (mesmo sendo já adulto), busque profissionais capacitados para que o diagnóstico corretos seja feito. As especialidades que irão poder lhe ajudar são:
q     Neuropediatra ou neurologista
q     Psicóloga
q     Psiquiatra
q     Psicopedagoga (caso haja prejuízos na aprendizagem)

Na maioria dos casos, a combinação dessas áreas em um tratamento interdisciplinar dá efeitos positivos na melhora da concentração e controle da hiperatividade. Mas, não existe uma fórmula mágica para todos os casos. Cada caso é um caso e a melhora dependerá também da força de vontade do paciente. Com freqüência é receitado medicamentos para a melhora da concentração (a famosa Ritalina é uma das mais usadas), é de suma importância que somente tome com indicação do psiquiatra ou neurologista.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Comendo EMOÇÕES: Compulsão Alimentar


“Enrolei em papel higiênico muitos papeis de bombons que comi muito rápido e escondida, fui cuidadosa em não deixar nenhuma pontinha aparecer. Como se eu estivesse cometendo um grande crime, importante era esconder as provas.
A sensação durante o tempo que como o chocolate é de anestesia. Mas, o alívio que sinto de ninguém saber que cometi esse crime contrasta com a com a culpa, pois logo depois que comi todos aqueles bombons vem a consciência de meu total descontrole.  Aí fico me questionando:
De quem estou escondendo meu descontrole?
Por que tenho necessidade de comer tanto?
Cometi realmente um crime? Contra quem?”



Para pessoas ditas compulsivas o diálogo interno acima relatado gera um mal-estar emocional profundo. Trata-se de um transtorno: o transtorno compulsivo alimentar periódico(TCAP) ou compulsão alimentar.
Esse transtorno (TCAP) é uma nova categoria diagnóstica de transtorno alimentar, descrita no Apêndice B do DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais) entre as categorias em fase de pesquisa.

A compulsão alimentar é caracterizada por um descontrole  alimentar no qual há uma ingesta pesada e desenfreada de alimentos ( na maior parte dos casos hipercalóricos) em curto espaço de tempo. O TAZ, personagem de desenho infantil, demonstra muito bem esse comportamento alimentar. 

Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes insaciáveis” para que a compulsão (TCAP_Transtorno Compulsivo Alimentar Periódico) seja devidamente diagnosticado deve-se levar em conta a freqüência dos episódios que deve ser de no mínimo duas vezes por semana durante seis meses, a quantidade caloria ingerida deve ser alta e o sentimento de descontrole deve se fazer presente.
Sim, pessoas compulsivas se preocupam com seu modo descontrolado de se alimentar, sentindo até ESTRANHEZA frente ao comportamento. Perguntam-se: Por que estou fazendo isso? Por que estou comendo tanto?  Mas não conseguem parar de fazer. 
Apesar de sua origem ser multifatorial (genética, familiar, sociocultural e psicológica) a compulsão está muito mais relacionada com emocional, ou seja, com o funcionamento psíquico da pessoa. As emoções mobilizam o ato compulsivo e vice-versa. O sintoma (comer compulsivo) acaba gerando um ciclo vicioso descontrole-culpa-descontrole, ou seja, comer-tristeza-comer.

PERFIL DO COMPULSIVO ALIMENTAR

q     Apresentam grande dificuldade de lidar com suas emoções, por isso a importância do autoconhecimento.
q     Muitas vezes, apresentam dificuldade de demonstrar o sentimento e externar as emoções.
q     Tem pouca tolerância com frustrações e decepções (“desmoronam emocionalmente” com muita facilidade).
q     São extremistas: O funcionamento ou 8 ou 80 da pessoa com TCAP facilita muito a compulsão, pois se pensa assim: se ao comer 4 bolachinhas recheadas o controle já foi perdido, então vou comer todo pacote_perdido, perdido e meio.
q     Culpa e autocondenação se faz muito presente na vida do compulsivo.
q     Obesos apresentam o transtorno com mais freqüência (o que não exclui o fato de um ’magro’ poder ser compulsivo) o que dificulta o tratamento para a perda de peso. Indivíduos obesos com este diagnóstico diferenciam-se de obesos sem transtorno alimentar por apresentarem obesidade mais precoce e freqüentes oscilações de peso.
q     Compulsivos apresentam como comorbidade a depressão e a ansiedade. Estudos estão associando a compulsão com baixa produção de seretonina (substancia do bem-estar).

TRATAMENTO

q     No tratamento psicológico é de grande importância investigar os sentimentos e crenças do paciente que estão associados com seu comportamento alimentar.
q     Na pratica clinica, o conceito de melhora dos episódios compulsivos não tem a perda de peso como critério principal.
q     Em psicoterapia devem ser trabalhados os sentimentos de vergonha,  inferioridade e baixa auto estima que geralmente acompanham o compulsivo.
q     No tratamento nutricional devem-se manter expectativas realistas com relação ao peso (metas) e formato do corpo.
q     Em casa deve-se reduzir a exposição de alimentos que tenham simbolismo de ‘tentação’ para o compulsivo.
q     Por estar relacionada com a ansiedade e/ou depressão (baixa produção de seretonina), é indicado a prática de exercícios físicos e também, dependendo do caso, a inserção de antidepressivos ou ansiolíticos.
q     ATENÇÃO: O tratamento para o TCAP deve ter como base a interdisciplinaridade, ou seja, é de suma importância que se busque ajuda na psicologia, nutrição, medicina e na educação física.